segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Percepção

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Percepção. Eis uma coisinha danada de se acertar. Ainda mais quando a sua é diferente da dos outros. E isso acaba por fazer com que se sofra desnecessariamente. Coisinha estranha essa. Felizmente é algo que se pode modificar com o tempo ou com uma simples mudança no ângulo de observação. Basta querer. E, claro, ter a percepção necessária para tal mudança.
Há alguns meses atrás postei algo aqui a respeito de enxergar a vida com outros olhos. E que era duro ter de fazê-lo quando os tais olhos não são os seus. Pois acontece o mesmo com a tal percepção. Se não temos a mesma da outra pessoa corremos o risco de interpretar mal as suas atitudes e acabar em maus lençóis.
Aconteceu comigo há pouco tempo. E há muito tempo também. Aliás, é algo que teima em acontecer comigo. Ter a percepção errada das coisas e tomar por certas coisas que ainda nem se concretizaram. Dói. Muito. A decepção é grande, quase insuportável. Mas eu sigo em frente. Guerreira. De pé. Não será esse meu calcanhar de Aquiles. Acho que estou mais para Hércules. Mesmo depois dos 12 trabalhos ainda restava muita força e disposição para mais 12. E mais 12! E é assim que me sinto. Caio. Machuco. Sou machucada. Sofro. Mas persisto. Preciso persistir. Não saberia agir de outra forma.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Dialética

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É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que sou triste.


Vinícius de Moraes
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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Soneto da Separação

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De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se de amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente



Vinícuis de Moraes
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Pérolas de hoje...


"Nunca precisei de sonhos para interpretar minha vida, mas da vida para interpretar meus sonhos." (Susan Sontag)


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"A melhor maneira de agradecer por um belo momento é desfrutá-lo plenamaente." (Richard Bach)


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Às vezes há mundos num grão de areia e nada num coração humano.


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É triste falhar na vida. Porém, mais triste ainda é não tentar vencer.


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É perigoso guardar uma cabeça cheia de sonhos com as mãos desocupadas.
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terça-feira, 7 de agosto de 2007

Algumas pérolas

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"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram."


Alexander Graham Bell


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"O tempo não cura tudo, mas sim, desloca o incurável do centro de atenção."


Ludwig Marcuse


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"Eu gosto de fazer poemas de um único verso.
Até mesmo de uma única palavra.
Como quando escrevo teu nome no meio da página."


Mário Quintana
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Metade

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E que a força do medo que eu tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro
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